"Minha
empregada serve café às 8 da manhã, e serve jantar às 8 da noite, mas
durante o dia tem muito tempo ocioso, então não cabe pagar hora extra."
Pergunta: Durante esse "tempo ocioso" ela pode sair de casa? Tipo, pegar um cineminha, fazer uma caminhada, ou qualquer coisa do interesse dela?
"Minha empregada assiste novela junto comigo. Como formalizar uma relação que é afetiva?"
Pergunta: Se, durante a novela, você pedir pra ela fazer um sanduíche
pra você ela tem a opção de recusar, ou pelo menos dizer "espera o
intervalo"?
"Minha empregada dorme na minha casa, e seus
serviços raramente são solicitados de noite, então acho injusto o
adicional noturno."
Pergunta: Se um médico dorme no hospital
durante seu plantão, e nenhum paciente aparece durante a noite, isso
significa que ele não deveria receber por aquela noite?
"Ela mora lá em casa, é a casa dela também. E não contribui com as despesas."
Pergunta: Se é a casa dela, ela pode receber visitas? Dar festinhas? Receber os parentes no natal?
"Minha empregada é como se fosse da família."
Pergunta: ela vai dividir a sua herança com seus filhos?
"Tenho uma empregada e duas babás, uma fixa e uma folguista, e preciso
delas porque trabalho fora. Acho que o governo deveria arcar com parte
dos novos custos trabalhistas."
Pergunta: E mordomo e motorista? Não acha que o governo tinha que bancar esses pra você também?
Pergunta(2): De onde você acha que vem o dinheiro do governo?
Todos esses foram comentários que li por aí nas notícias sobre a tardia
equiparação dos direitos das domésticas com os de todas as outras
categorias. A gente já sabia que essa relação no Brasil era assim, mas
não dá pra não ficar chocado com tantas manifestações sem noção. Parece
que pra classe média brasileira as domésticas tinham mais é que ser
gratas por abrirem mão das suas vidas pessoais pra servirem seus(uas)
patrões(oas), tão bondosos e caridosos.
Léo Moraes


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