Em sete anos, Estado perde mais de 600 leitos de internação
No Brasil, a perda chega a 6 mil leitos por ano, segundo o Conselho Federal de Medicina.
Na rede pública de saúde do Espírito Santo, 627 leitos de internação foram fechados nos últimos sete anos. Em todo o Brasil, a perda chega a 6 mil leitos por ano. A conclusão é do Conselho Federal de Medicina (CFM), que fez um levantamento com base nos dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.
Desde 2005, o Espírito Santo perdeu 9,6% dos seus leitos do SUS (de 6.513 para 5.886). O Mato Grosso do Sul teve o maior número de leitos fechados (-26,6%), seguido por Paraíba (-19,2%), Rio de Janeiro (-18%), Maranhão (-17%), São Paulo (-13%) e Minas Gerais (-13%).
As especialidades que mais perderam leitos no Estado foram pediatria (184 vagas a menos), obstetrícia (141), cirurgia geral (109) e clínica geral (31). O CFM alega que grande parte dos problemas do Sistema Único de Saúde (SUS) passa pelo subfinanciamento e pela falta de uma política eficaz de presença do Estado.
"Os gestores simplificaram a complexidade da assistência à máxima de que ‘faltam médicos no país’. Porém, não levam em consideração aspectos como a falta de infraestrutura física, de políticas de trabalho eficientes para profissionais da saúde, e, principalmente, de um financiamento comprometido com o futuro do SUS", critica o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila.
O Espírito Santo tem 1,68 leito a cada grupo de mil habitantes – número inferior ao preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de dois a cada mil habitantes, em áreas urbanas. No país, a média também é baixa: 1,85 leitos para mil habitantes.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), Aloizio Souza, também concorda que o corte dos leitos é um problema de má gestão da saúde pública e da falta de investimentos no setor.
"É notório o fechamento dos leitos nos hospitais nos últimos anos. Cerca de 120 leitos foram desativados no Hospital das Clínicas. É absurda essa situação. Já enviei três ofícios para a Presidência da República e estive em reuniões com o reitor e o diretor do hospital, mas nada é resolvido. O Brasil é a 6º economia do mundo, mas fica atrás de países como Chile e Paraguai em investimentos de saúde", afirma Souza.
Desde 2005, o Espírito Santo perdeu 9,6% dos seus leitos do SUS (de 6.513 para 5.886). O Mato Grosso do Sul teve o maior número de leitos fechados (-26,6%), seguido por Paraíba (-19,2%), Rio de Janeiro (-18%), Maranhão (-17%), São Paulo (-13%) e Minas Gerais (-13%).
As especialidades que mais perderam leitos no Estado foram pediatria (184 vagas a menos), obstetrícia (141), cirurgia geral (109) e clínica geral (31). O CFM alega que grande parte dos problemas do Sistema Único de Saúde (SUS) passa pelo subfinanciamento e pela falta de uma política eficaz de presença do Estado.
"Os gestores simplificaram a complexidade da assistência à máxima de que ‘faltam médicos no país’. Porém, não levam em consideração aspectos como a falta de infraestrutura física, de políticas de trabalho eficientes para profissionais da saúde, e, principalmente, de um financiamento comprometido com o futuro do SUS", critica o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila.
O Espírito Santo tem 1,68 leito a cada grupo de mil habitantes – número inferior ao preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de dois a cada mil habitantes, em áreas urbanas. No país, a média também é baixa: 1,85 leitos para mil habitantes.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), Aloizio Souza, também concorda que o corte dos leitos é um problema de má gestão da saúde pública e da falta de investimentos no setor.
"É notório o fechamento dos leitos nos hospitais nos últimos anos. Cerca de 120 leitos foram desativados no Hospital das Clínicas. É absurda essa situação. Já enviei três ofícios para a Presidência da República e estive em reuniões com o reitor e o diretor do hospital, mas nada é resolvido. O Brasil é a 6º economia do mundo, mas fica atrás de países como Chile e Paraguai em investimentos de saúde", afirma Souza.
Governo: vagas perdidas eram de hospitais pequenos.
O subsecretário de Estado da Saúde, Geraldo Corrêa Queiroz, confirma a perda de vagas na rede pública nos últimos sete anos, mas alega que a maioria da desativação dos leitos ocorreu em hospitais de pequeno porte, em municípios do interior do Estado, como Piúma, Alfredo Chaves e Iconha.
"Com exceção do São Lucas e das Clínicas (Hucam), a maioria dos leitos foi fechada em hospitais que não conseguiram manter as portas abertas por causa do alto custo dos leitos", afirma.
Queiroz explica que esses leitos são de baixa densidade tecnológica (poucos equipamentos e aparelhos agregados) e que o fechamento não produz um impacto importante para a população local.
"Alguns desses hospitais que fecharam tinham uma taxa de ocupação muito baixa, e os leitos eram direcionados para o tratamento de doenças como diarreia e pneumonia. Mas as causas de morte da população hoje são outras. Portanto o papel social de alguns hospitais é questionado", aponta.
Queiroz acrescenta que o Estado abriu 155 leitos desde janeiro de 2011 e que a situação de superlotação no Hospital São Lucas é temporária até a inauguração dos dois novos hospitais.
"A perspectiva é criar na rede estadual de urgência e emergência mais 306 leitos clínicos e 132 leitos de UTI até 2014", completa.
O subsecretário de Estado da Saúde, Geraldo Corrêa Queiroz, confirma a perda de vagas na rede pública nos últimos sete anos, mas alega que a maioria da desativação dos leitos ocorreu em hospitais de pequeno porte, em municípios do interior do Estado, como Piúma, Alfredo Chaves e Iconha.
"Com exceção do São Lucas e das Clínicas (Hucam), a maioria dos leitos foi fechada em hospitais que não conseguiram manter as portas abertas por causa do alto custo dos leitos", afirma.
Queiroz explica que esses leitos são de baixa densidade tecnológica (poucos equipamentos e aparelhos agregados) e que o fechamento não produz um impacto importante para a população local.
"Alguns desses hospitais que fecharam tinham uma taxa de ocupação muito baixa, e os leitos eram direcionados para o tratamento de doenças como diarreia e pneumonia. Mas as causas de morte da população hoje são outras. Portanto o papel social de alguns hospitais é questionado", aponta.
Queiroz acrescenta que o Estado abriu 155 leitos desde janeiro de 2011 e que a situação de superlotação no Hospital São Lucas é temporária até a inauguração dos dois novos hospitais.
"A perspectiva é criar na rede estadual de urgência e emergência mais 306 leitos clínicos e 132 leitos de UTI até 2014", completa.
Foto: Edson Chagas - GZ.
|
Referência no atendimento de traumas, o São Lucas perdeu 75 dos seus 150 leitos
Desde que o Hospital São Lucas passou a funcionar no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Bento Ferreira, Vitória, metade dos leitos da unidade foi cortada. O número passou de 150 para 75. A situação precária do hospital deixa pacientes, familiares e médicos revoltados.
O neurocirurgião Paulo Roberto de Paiva, 61, que trabalha no local, relatou sua indignação no seu perfil do Facebook, na terça-feira. O médico afirmou que até mosca foi vista dentro do centro cirúrgico. Ele também denunciou a superlotação à GAZETA, definindo o São Lucas como "rascunho do inferno".
Na última quarta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) disse que os problemas são pontuais e que a direção tomaria providências. Mas essa não é a impressão de pessoas que transitam no local nem de parentes de pacientes que estão no corredor do São Lucas.
"O corredor está muito lotado hoje (ontem), principalmente com idosos. E há milhares de mosquitos. Nas enfermarias, faltam cuidados. Há um paciente que está com a mesma punção há dez dias, sendo que o adequado seria fazer a troca a cada três dias", diz a estagiária em técnica de enfermagem Halina Rodrigues, 22.
Desde que o Hospital São Lucas passou a funcionar no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Bento Ferreira, Vitória, metade dos leitos da unidade foi cortada. O número passou de 150 para 75. A situação precária do hospital deixa pacientes, familiares e médicos revoltados.
O neurocirurgião Paulo Roberto de Paiva, 61, que trabalha no local, relatou sua indignação no seu perfil do Facebook, na terça-feira. O médico afirmou que até mosca foi vista dentro do centro cirúrgico. Ele também denunciou a superlotação à GAZETA, definindo o São Lucas como "rascunho do inferno".
Na última quarta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) disse que os problemas são pontuais e que a direção tomaria providências. Mas essa não é a impressão de pessoas que transitam no local nem de parentes de pacientes que estão no corredor do São Lucas.
"O corredor está muito lotado hoje (ontem), principalmente com idosos. E há milhares de mosquitos. Nas enfermarias, faltam cuidados. Há um paciente que está com a mesma punção há dez dias, sendo que o adequado seria fazer a troca a cada três dias", diz a estagiária em técnica de enfermagem Halina Rodrigues, 22.
FONTE: A Gazeta
"Rascunho do inferno",
diz cirurgião sobre hospital com moscas.
O neurocirurgião Paulo Roberto Paiva, revoltado com a estrutura do Hospital São Lucas, em Vitória, resolveu relatar sua indignação na internet. No seu perfil do facebook, ele disse que até mosca foi vista dentro de uma sala de cirurgia. “A saúde está um caos. O Hospital São Lucas estava insuportável. A sala de emergência, lotada, e o Samu trazendo mais pacientes graves a cada minuto. É o verdadeiro rascunho do inferno”, desabafou.
O médico trabalha na unidade há 20 anos. “Imaginem o pessoal do Samu atendendo um paciente acidentado em estado grave, de moto ou automóvel, entubam e ressuscitam o paciente e resolvem levar para o São Lucas. Lá, se deparam com um congestionamento de macas, tentando entrar no hospital. Imagine o desespero desses profissionais. O negócio está insuportável”, disse o médico.
Ele diz que os pacientes internados nos corredores correm mais risco de ter infecções. “O que encontramos ali é uma situação desumana. Pacientes deitados em macas baixas, a 10 ou 20 centímetros do chão. Estão predispostos a uma infecção hospitalar”, comentou.
Outro problema grave relatado é o centro cirúrgico cheio de moscas e mosquitos. “Além dos mosquitos, passaram a aparecer moscas. É um absurdo. Isso me levou ao desabafo. Na segunda-feira (10), fiz uma cirurgia de crânio e essas moscas ficaram sobrevoando o campo operatório. A enfermeira ficava abanando enquanto eu operava”, disse.
O médico ganhou apoio dos colegas nas redes sociais. Teve denúncia de salas lotadas no centro cirúrgico. Outro médico disse que o São Lucas virou um depósito de moribundos. E uma médica relata na internet que a saúde está uma vergonha.
No hospital, parentes reclamam que não é fácil ver uma pessoa querida sofrendo em uma maca, no corredor do hospital. “A gente se sente um lixo ao ver ele no corredor. Vemos que aumenta a dificuldade para ele melhorar”, diz o eletricista e amigo de paciente Vinícius Augusto Teixeira. A auxiliar administrativo e irmã de paciente Rosângela Maria da Silva também reclama. “Penso que o ser humano teria que ter mais valor. A gente paga imposto em cima de tudo”, disse.
O médico Paulo Roberto Paiva ainda comenta que a saúde no estado “chegou ao fundo do poço”. Em junho de 2010, o São Lucas foi transferido para o Hospital da Polícia Militar (HPM). A Secretaria de Estado da Saúde prometeu reformar a unidade. A promessa era a obra pronta em um ano, mas já se passaram dois anos e o hospital novo não foi entregue.
O secretário de estado da Saúde Tadeu Marino informou que o estado tem um déficit de 160 leitos e 350 leitos clínicos. “O estado abriu 150 novos leitos e está fazendo um esforço muito grande para abrir dois novos grandes hospitais até o primeiro semestre do ano que vem para que a gente melhore a situação da lotação dos hospitais”, defendeu.
Sobre as moscas, o secretário disse que o bairro o problema com insetos e que o prédio é dedetizado quatro a cinco vezes por ano. “Uma hora ou outra, isso pode acontecer, mas nós já pedimos para a direção que justificasse a reclamação do colega médico”, respondeu Marino.
Fonte: G1
O médico trabalha na unidade há 20 anos. “Imaginem o pessoal do Samu atendendo um paciente acidentado em estado grave, de moto ou automóvel, entubam e ressuscitam o paciente e resolvem levar para o São Lucas. Lá, se deparam com um congestionamento de macas, tentando entrar no hospital. Imagine o desespero desses profissionais. O negócio está insuportável”, disse o médico.
Ele diz que os pacientes internados nos corredores correm mais risco de ter infecções. “O que encontramos ali é uma situação desumana. Pacientes deitados em macas baixas, a 10 ou 20 centímetros do chão. Estão predispostos a uma infecção hospitalar”, comentou.
Outro problema grave relatado é o centro cirúrgico cheio de moscas e mosquitos. “Além dos mosquitos, passaram a aparecer moscas. É um absurdo. Isso me levou ao desabafo. Na segunda-feira (10), fiz uma cirurgia de crânio e essas moscas ficaram sobrevoando o campo operatório. A enfermeira ficava abanando enquanto eu operava”, disse.
O médico ganhou apoio dos colegas nas redes sociais. Teve denúncia de salas lotadas no centro cirúrgico. Outro médico disse que o São Lucas virou um depósito de moribundos. E uma médica relata na internet que a saúde está uma vergonha.
No hospital, parentes reclamam que não é fácil ver uma pessoa querida sofrendo em uma maca, no corredor do hospital. “A gente se sente um lixo ao ver ele no corredor. Vemos que aumenta a dificuldade para ele melhorar”, diz o eletricista e amigo de paciente Vinícius Augusto Teixeira. A auxiliar administrativo e irmã de paciente Rosângela Maria da Silva também reclama. “Penso que o ser humano teria que ter mais valor. A gente paga imposto em cima de tudo”, disse.
O médico Paulo Roberto Paiva ainda comenta que a saúde no estado “chegou ao fundo do poço”. Em junho de 2010, o São Lucas foi transferido para o Hospital da Polícia Militar (HPM). A Secretaria de Estado da Saúde prometeu reformar a unidade. A promessa era a obra pronta em um ano, mas já se passaram dois anos e o hospital novo não foi entregue.
O secretário de estado da Saúde Tadeu Marino informou que o estado tem um déficit de 160 leitos e 350 leitos clínicos. “O estado abriu 150 novos leitos e está fazendo um esforço muito grande para abrir dois novos grandes hospitais até o primeiro semestre do ano que vem para que a gente melhore a situação da lotação dos hospitais”, defendeu.
Sobre as moscas, o secretário disse que o bairro o problema com insetos e que o prédio é dedetizado quatro a cinco vezes por ano. “Uma hora ou outra, isso pode acontecer, mas nós já pedimos para a direção que justificasse a reclamação do colega médico”, respondeu Marino.
Fonte: G1

Nenhum comentário:
Postar um comentário